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Ayn Rand: Uma Visão Pessoal
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É perfeitamente possível admirar o brilhantismo estético de Ayn Rand e, ao mesmo tempo, sentir um profundo incômodo com o rastro de dogmatismo e arrogância que o seu legado deixou. Como leitor de longa data da sua obra — da ficção às cartas —, passei anos tentando conciliar a genialidade de seus romances com o comportamento errático de seu círculo de discípulos. Este texto não é uma ode cega e nem um ataque gratuito; é um acerto de contas pessoal com o objetivismo. É uma tentativa de separar o ouro filosófico do lixo comportamental e, acima de tudo, propor uma saída prática para o caos brasileiro que a teoria pura de Rand jamais conseguiu oferecer.

Aquilo que admiro e critico

O que eu tenho em comum com Ayn Rand pode ser resumido em dois tópicos: (i) Individualismo como atitude filosófica, metodológica e existencial; (ii) Desenvolvimento pessoal calcado no individualismo e na alegria de viver. Se (ii) lhe parece muito vago, tenha em mente que isso é uma reação a uma tendência intelectual predominante que parece sempre tomar como premissa que a ética — o código de como se agir dentro da vida — demanda renúncia, sofrimento e concessões não-justificadas. Eu não acredito nisso. Tanto quanto Rand, eu acredito em florescimento humano baseado em prazer, em alegria, e consultando sempre, dentro de mim, o que ela chama de "mecanismo prazer-dor". Se uma atividade me dá prazer em todas as instâncias de prazo — que não precisa e não deve ser um prazer exagerado e autodestrutivo —, eu entendo isso como uma sinalização de que estou no caminho certo dentro das centenas de escolhas possíveis dentro da vida.

Prazer em curto prazo significa que você gosta do que faz hoje, e pode fazer mais amanhã. Prazer em médio e longo prazo significa que a ação é justificável em si. Você pode obter prazer derivado de coisas que não são justificáveis, é claro: por exemplo, do consumo de drogas. A sacada genial de Rand é perceber que o seu corpo, mente e espírito invariavelmente darão avisos de que algo não é justificável. Por exemplo, se você exagerar no consumo de álcool em um dia, você pode até sentir aquele prazer exagerado e inconsequente durante o ato em si — no dia seguinte, porém, o mais provável é que seu corpo dê sinais de que isso não é ok: dor de cabeça, vômito, dor moral, sensação de tempo perdido, vocês me digam.

Minha crítica a Ayn Rand começa em tendências do que eu percebo nela como comportamento dogmático e arrogante, especialmente no final da vida da escritora. Mas, de onde exatamente veio isso? Como a autora de um romance libertário como A Nascente, uma narrativa calcada em: se você quiser fazer, e perceber individualmente que é um bom curso de ação, não pestaneje nem titubeie: faça! — como essa mesma pessoa pode, anos mais tarde, virar uma pessoa arredia ao confronto de ideias, uma pessoa agressiva?

Como pode a mesma pessoa que lia Dostoiévski com generosidade apagar John Hospers da própria biografia por discordâncias menores? Como pode se tornar alguém que junta um círculo de iniciados que se retroalimentam com as mesmas ideias — muitas das quais são pontos cegos e estão erradas, e não resistiriam ao mínimo confronto com o contraditório? Durante anos eu tentei conciliar as duas visões da mesma pessoa, aceitando as duas simultaneamente, mas sempre com uma pulga atrás da orelha me dizendo que havia algo que não batia aí dentro.

A verdade é que a maioria das pessoas que se propuseram a estudar Rand tomaram o mesmo caminho, e obtiveram, dele, resultados igualmente viciados. Em nome da visão impressionante de vida que Rand teve ao escrever o personagem de Howard Roark, essas pessoas aceitaram a deletéria postura de uma autora reagir com agressividade diante da mínima menção a "oponentes filosóficos". Em nome das percepções impressionantes de Rand ao revisar e aplicar bases da filosofia aristotélica para uma ética individual pós-revolução industrial, essas pessoas aceitaram a visão deficiente e falsa que Rand ajudou a publicitar sobre autores como Freud. Em nome do gigante talento que Rand tinha ao expor ideias mediante dramatização, e explicar claramente em cima de que pressupostos artísticos e ideológicos seus romances eram escritos, essas pessoas aceitaram o comportamento errático, antiético e totalmente indefensável de Rand dentro de seu círculo de discípulos (veja a biografia The Passion of Ayn Rand, de Barbara Branden, para entender ao que eu me refiro).

Na verdade, existe uma explicação simples e perfeitamente viável de como Ayn Rand passou de uma mentalidade a outra: ela ficou viciada em anfetaminas. Ela quis escrever mais e melhor, e começou a tomar esses fármacos. Anfetaminas, como é sabido, num primeiro momento deixam uma pessoa com produtividade e percepção acima da média, ao passo que têm, como efeito colateral em médio e longo prazo, criações de vícios de pensamento e paranoias. (Aparentemente, ela falhou em seguir sua própria formulação de verificar o mecanismo de dor.)

Grosso modo, é por isso que hoje você vê pessoas dentro do pensamento de Ayn Rand que são pessoas um tanto questionáveis. São pessoas arrogantes, ensimesmadas, que buscam dinheiro por qualquer meio, que só estão buscando afirmação pessoal ou status social, que não fazem leitura crítica de nada dentro do pensamento de Rand, e que, em última instância — ó, ironia das ironias — são pessoas mesmo incapazes de ganhar a vida por meios legítimos. Os institutos oficiais de Rand abrigam essas pessoas e atitudes, as incentivando oficialmente.

Pontos cegos

Além dos problemas gerais que já foram expostos, há algo de objetivamente questionável dentro do pensamento de Ayn Rand? Sim, há. A minha principal diferença filosófica com o chamado “objetivismo” é o pressuposto do homem como “tabula rasa” — que se reflete nas ideias ruins que são desenvolvidas a partir desse pressuposto falso, a saber: entender que o homem perfeitamente individuado é o ponto de partida, e não algo a ser construído ao longo do tempo por meios diversos; usar a escolha estilística de heróis perfeitos, imaculados, dentro de romances (A Revolta de Atlas é o exemplo principal de como isso afeta a qualidade de uma obra, mesmo que no geral essa obra seja, como descreveu até mesmo a crítica Helen Beal Woodward, “escrita com virtuosidade estonteante”); usar a técnica de “escrever [não-ficção] como se você fosse a criatura perfeita de Deus” (The Art of Non-Fiction, de Ayn Rand); e culminando no que eu percebo como dois fracassos de ideias, que são: (i) uma técnica de melhoramento psicológico e existencial que é, no melhor dos casos, ineficaz; (ii) uma teoria política que não propõe nada viável, apenas a exaltação do “capitalismo laissez-faire”.

Ambos os fracassos são fracassos porque carecem de viabilidade: padecem de uma falta de gradualismo, o que é dinamite para a credibilidade da filosofia objetivista perante o público geral. Como pode alguém virar uma pessoa melhor — i.e., uma pessoa altamente individualizada e racional — repetindo o mantra do “egoísmo racional” todos os dias, ou sentado numa cadeira teorizando aplicações do discurso de John Galt? Resposta: isso não é possível. Nesse sentido, a psicanálise de Freud que Rand rejeitou (porque tinha ideias distorcidas do que era) tinha propostas muito mais interessantes, e técnicas que são aplicáveis, com eficácia, à vida.

Raciocínio semelhante pode ser aplicado ao tópico (ii): como alguém pode desenvolver pensamento racional quando não há meios materiais, nem um ambiente socialmente propício para isso? Talvez vocês concordem comigo que a maioria das pessoas é formada por… NPCs. Digo, pessoas comuns e medíocres. Que apenas respondem a estímulos; e se os estímulos forem ruins, elas retornarão com algo pior. À maioria das pessoas não ocorrerá, simplesmente, aprender matemática por conta própria, em algum ponto isolado do mundo, usando um livro usado, que nem um Srinivasa Ramanujan. Ao homem comum não ocorrerá, no meio da pobreza e do abandono, dominar seu próprio idioma nativo de uma maneira que o torne um imortal das letras, como um Machado de Assis. E assim eu poderia prosseguir com infinitos exemplos, mas o ponto é: no contexto da maioria das pessoas, se você as alimenta com lixo, o que sairá é lixo tóxico.

Aqui eu quero fazer uma observação: se é verdade que este mundo não é um mundo capitalista, na acepção mais puramente conceitual da palavra — um sistema baseado em mérito, racionalidade, livres trocas, produtividade —, é verdade, porém, que é um mundo muito injusto, e que boa parte dessa injustiça advém daqueles que foram historicamente denominados como “os capitalistas”.

Sendo mais concreto, o que fazer do fato de que, no Brasil, metade dos empregos são conseguidos mediante indicação, o que se traduz como afinidade tribal, disposição familiar que não é inteiramente baseada em mérito, “eu tenho um tio rico que me deu um trampo”, trocas de favores, simbioses entre malandros-empresários e governos sujos, dentre mil outras coisas, nenhuma delas baseadas em critérios livres e racionais? Quem aqui conhece uma pessoa que é perfeitamente produtiva e racional, mas ainda vive em condições muito piores comparadas ao filho vagabundo do patrão?

Sim, meus amigos, se há um ponto em que os liberais e conservadores do Brasil têm falhado — alguns de vocês argumentarão que eles têm, sim, falhado em mais coisas, mas vamos deixar barato —, esse ponto é reconhecer o absoluto caos societário em que esta coisa chamada Brasil existe. Gente racional, produtiva e talentosa mora ao lado do esgoto não tratado; gente vagabunda mora em locais com IDH suíço. O que aconteceu? Por vários meios, a gente talentosa foi pilhada e seu dinheiro transferido para a gente vagabunda. Mas eu estou quase fugindo ao tema, e isso é assunto para outro dia.

Volto ao pensamento político de Ayn Rand. Como implementar esse “capitalismo laissez-faire” que ela advoga, do nada, num aparente vácuo de viabilidade política — como se o mundo fosse, enfim: “tabula rasa” —, sem criar outras distorções com potencial para diminuir o desenvolvimento humano de gerações inteiras de pessoas, e de maneira que essa implementação seja politicamente eficaz? A resposta parece ser a mesma que a dada no ponto anterior: novamente, isso não é possível.

Soluções?

O que eu, pessoalmente, mediante livre exercício da minha razão, resolvi favorecer, que certamente é algo incompatível com a teoria política objetivista, é buscar as alternativas mais viáveis que tragam melhoramentos graduais de um ponto de vista racional, de uma visão que leva principalmente a eficácia em consideração.

Por exemplo: o estado brasileiro falhou, ao longo das décadas, na área de saneamento básico, isso é visível na maioria das grandes cidades, e muito especialmente no Norte, onde eu vivo. Se o governo propuser uma regulação racional ao saneamento básico em parceria com fornecedores privados desse tipo de serviço e com predominância das empresas privadas, para que gradualmente as pessoas parem de viver perto de esgotos a céu aberto — eu serei inteiramente favorável a isso. O seu objetivista padrão não será, porque isso iria contra o “capitalismo laissez-faire”, ou porque a intervenção do governo é “contra a ética correta”.

Porém, deixe-me ser honesto: eu só escrevi a última frase para marcar bem a minha discordância geral dos chamados objetivistas. Hoje eu entendo que a solução não partirá do estado brasileiro — não da forma como ele existe hoje. De onde partirá? Estou convencido de que partirá de tecnólogos-empreendedores inseridos no novo paradigma de estados em redes, como defendido por Balaji Srinivasan em seu livro The Network State.

Os estados em redes são uma ideia muito simples em conceito, e talvez um bocado mais difícil na prática, pelos obstáculos que forçosamente se colocarão no caminho. Mas a ideia é muito simples: um estado em rede é uma comunidade com um forte senso de propósito coletivo, talvez uma criptomoeda integrada, e um plano para construir territórios físicos pelo mundo. Em vez de começar com um território e depois preenchê-lo com pessoas (como os estados-nação tradicionais), você começa com as pessoas, unidas digitalmente por uma visão de mundo, e depois elas, juntas, adquirem territórios.

“Você disse que era simples, mas isto é mirabolante, não tem como ocorrer.” É mesmo? A televisão também era um conceito mirabolante antes de se concretizar na vida real de milhões de pessoas ao redor do mundo. Um cinema, noticiário, teatro, tudo numa telinha mágica dentro da sua casa? Fale-me em viagem na maionese. E, no entanto, hoje a televisão é a base do simples para toda uma fatia da existência disseminada para todas as pessoas, a mídia. Os estados em redes são só o próximo passo e expansão muito natural do fenômeno internet. O mirabolante de hoje é o feijão com arroz de amanhã. Os meus melhores amigos não vivem em Belém do Pará, eles vivem espalhados pelo país inteiro, do extremo norte ao extremo sul. Assim como eu, milhões de pessoas estão fazendo seus melhores amigos não mais por restrição geográfica, mas por alinhamento de interesses e valores. O quão mirabolante isso seria meros quarenta anos atrás? O quão mirabolante serão os estados em redes daqui a quarenta anos?

E o avanço tecnológico cria essa situação inédita. Em vez de esperar uma reforma política municipalista que nunca virá do falido estado brasileiro, ou sonhar com uma utopia anarcocapitalista que ignora as condições materiais dos miseráveis que tendem a tornar-se mais miseráveis, os tecnólogos-empreendedores podem começar a construir proto-estados focados em resolver problemas específicos aqui mesmo, no Norte do Brasil; em Araraquara, onde tem faltado sinalização nas ruas; aí no seu lugar, cada um no seu quadrado, cada um com suas demandas.

Imagine uma comunidade de moradores e empresários de um bairro de Belém ou São Luís farta de viver ao lado do esgoto. Em vez de protestar na prefeitura, eles formam uma sociedade startup com um único propósito: construir um sistema de saneamento moderno e autônomo para o seu bairro. Eles criam uma organização online, definem uma constituição interna baseada em mérito e transparência (talvez usando tecnologias como blockchain para votações e gestão de fundos) e começam a arrecadar capital dos próprios membros e de investidores externos que acreditam no projeto. Com o capital, eles não pedem permissão, eles contratam os melhores engenheiros e constroem a infraestrutura. Eles criam um enclave de funcionalidade e civilidade no meio do caos. Isso não é uma teoria abstrata; é ação direta, focada e gradual.

A palavra chave então é… gradual. O que eu estou propondo resolve os dois fracassos que apontei no objetivismo puro, bem como em qualquer teoria política importada prontinha dos Estados Unidos e Europa com think tanks e ONGs pagos a peso de ouro pelas insensatas elites brasileiras, facilmente impressionáveis por qualquer jeca falante nativo de inglês que jogue na série C do seu próprio país de origem. Esquerda e direita têm fracassado porque estão anêmicas de ideias próprias seminadas, germinadas e maturadas por todas as etapas necessárias — ideias que se relacionem conosco e nossos próprios problemas. Nada dá frutos ou resultados porque é tudo estéril, é tudo importado e traduzido porcamente, é tudo preguiçoso e sem talento próprio aplicado às nossas próprias questões, que o mundo desenvolvido de onde saíram essas doutrinas já superou há muito tempo.

As abordagens que temos de começar a propor precisam ser gradualistas e tratar-se de soluções para os brasileiros. Soluções para os brasileiros, não para a escumalha ongueira e seus metacapitalistas que só se importam com a própria conta bancária. E, tão importante quanto: nada de abolir o Brasil da noite para o dia. Precisamos de alternativas viáveis, pedaço por pedaço, que demonstrem sua superioridade na prática.

Soluções!

Vamos falar de um aspecto dos estados em redes, por exemplo: a nova empregabilidade que ele propõe, o mérito dentro dele, e como você pode se portar nesse paradigma. Em vez de se lamentar que os melhores empregos são para o filho vagabundo do patrão, por que não dar início a um ecossistema econômico paralelo? Um estado em rede pode ser fundado por profissionais de tecnologia, bioeconomia ou qualquer outra área de ponta, com uma regra fundamental: dentro desta rede, a contratação e o investimento são baseados estritamente em um sistema de reputação verificável e desempenho. Seu valor não vem do seu sobrenome, mas do seu portfólio, das suas contribuições para a rede, da sua capacidade de gerar valor real. Essa rede pode começar totalmente online, conectando talentos do Brasil com empresas do mundo todo, mas, com o tempo, ela pode financiar espaços físicos: um campus, um centro de pesquisa, um polo industrial — uma Zona Franca de Mérito, onde as regras do jogo são definidas pelos mais produtivos, e não pelos mais conectados politicamente.

Isso é menos lamentação e mais ação. Por você mesmo. Pode não ser exatamente como eu estou dizendo, mas então eu quero que você me faça sua proposta de como pode ser, e execute, e a siga. Pode ser que não exista ninguém aí em Araraquara com a ideia de formar uma sociedade startup como eu expliquei, mas sendo as sociedades startups primariamente online, e só posteriormente baseadas em localização geográfica, elas certamente já estão disponíveis a você, ou estarão muito em breve. As possibilidades são infinitas.

Sim, meus caros. Eu reforço o aspecto das possibilidades e da atenção à ação porque desprezo o poço de lamentações e inação em que entrou a direita brasileira. Já passou o tempo de reclamar dos sindicalistas, reclamar do Getúlio Vargas, chorar pela herança cultural do lusocatolicismo, entrar em frangalhos emocionais porque o PT destruiu a economia e ainda jogou a culpa em você, etc. etc. etc. Esse tempo acabou. Se vocês querem sobreviver como sociedade, acabou também o tempo de intelectualismo preguiçoso em que você escolhe uma vertente de liberalismo para chamar de sua e fica por aí mesmo. Acabou o tempo de “debater” e “refutar” os esquerdistas. O que eu proponho é que os indivíduos mais racionais e produtivos adotem a responsabilidade e a oportunidade de construir um novo ambiente, essas novas cidades na nuvem com embaixadas na Terra, onde a razão, a produtividade e o mérito não são apenas ideais a serem admirados, mas as próprias fundações da estrutura social. Se você tem um cérebro, por que esse indivíduo não seria você?

Qual é o próximo passo então? Pare de discutir Ayn Rand. Pare de discutir John Galt. Procure ser você John Galt. Vá estudar uma engenharia sanitária e ambiental da vida. Construa sua proficiência técnica. O tempo é escasso. Descubra os melhores e junte-se a eles para formar a sua própria sociedade startup. Não precisa ser em Belém ou Araraquara, pode ser aí mesmo, onde você vive. Se você ama sua vida, é simples. Faça por onde para sair do meio do esgoto a céu aberto. Não vem ninguém para te salvar. É você por você mesmo.

E, afinal, há algo mais Ayn Rand em espírito que fazer isso?

É aqui que a tecnologia do século XXI torna viável o individualismo de Rand. Não se trata de destruir o estado, mas de torná-lo obsoleto mediante competição. No meio do caminho, eu garanto, você pode até não mudar o mundo coletivo — já que isso depende de outras pessoas —, mas vai mudar seu mundo individual para melhor. A ideia é não lutar contra um sistema corrupto em seus próprios termos, mas construir algo tão inovador e superior que o antigo sistema simplesmente se torna irrelevante. E essa construção, ao contrário do que os objetivistas obsoletos podem acabar pensando por falta de imaginação e referências, não precisa e nem deve ser um ato solitário, mas sim um empreendimento dos indivíduos mais capazes. Em redes.

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